Na última quinzena de junho, no Inovabra — o hub de inovação do Bradesco em São Paulo —, cerca de 70 executivos, gestores fiscais e líderes de tecnologia se reuniram para um evento que raramente acontece no mercado brasileiro: uma discussão franca, técnica e orientada à ação sobre o que a Reforma Tributária do Consumo e a Inteligência Artificial significam, juntas, para o cotidiano das equipes fiscais.
O resultado foi o Fiscal Intelligence Talks, evento promovido pela NFE.io que reuniu especialistas de empresas como Systax/Vertex, PixFly, Sicoob, Shein e Oracle para entregar — em três horas — aquilo que levaria meses de estudo individual para ser assimilado.
Reforma Tributária: não é só uma questão jurídica
A abertura do evento contou com um keynote prático e direto ao ponto. Carlos Nascimento, especialista tributário da NFE.io, apresentou o panorama atual da Reforma Tributária do Consumo em três dimensões que todo gestor precisa dominar: a legislação institucional, o ambiente regulamentar e a implementação operacional.
A mensagem central: a Reforma não é apenas uma mudança de alíquotas. É uma reconfiguração estrutural do sistema tributário brasileiro, e ignorar sua profundidade operacional é o caminho mais rápido para multas, rejeições e perda de competitividade.
No plano institucional, a EC 132/2023 criou o modelo IVA Dual — composto por CBS, IBS e IS (Imposto Seletivo) — e a LC 214/2025 o regulamentou. Em janeiro de 2026, a LC 227/2026 instituiu o Comitê Gestor do IBS (CG-IBS) e promoveu mais de 120 ajustes na legislação. O sistema está vivo — e muda com frequência mensal.
No plano regulamentar, o marco de 1º de agosto de 2026 ficou como ponto de atenção: a partir dessa data, os campos IBS/CBS passam a ser exigidos nos documentos fiscais eletrônicos. Empresas no Lucro Real e Presumido que não estiverem em conformidade estarão sujeitas a multa de 1%.
IA na operação fiscal: da teoria ao caso real
Andreia Dantas, Product Manager da Systax/Vertex, trouxe para o palco uma perspectiva que complementou perfeitamente o keynote: o que acontece quando a Inteligência Artificial encontra a complexidade tributária.
De acordo com a especialista, a Reforma Tributária gerou um volume imenso de legislação, decretos e Notas Técnicas que se atualizam constantemente. Ao mesmo tempo, o mercado enfrenta escassez de profissionais especializados. A equação é simples e preocupante: mais complexidade, menos gente.
A solução apresentada foi igualmente direta: IA não como substituta do consultor tributário, mas como amplificadora da sua capacidade analítica. Automação de tarefas repetitivas, análise de grandes volumes de legislação em escala, identificação de padrões e inconsistências. tudo isso libera o profissional para o que realmente importa: a interpretação estratégica.
Agentes de IA em produção: o que já funciona hoje
Luiz Felipe Couto, fundador da PixFly, apresentou o bloco mais prático do evento: casos reais de Agentes de IA operando em ambientes de produção dentro de contextos fiscais.
A diferença entre “IA como conceito” e “IA em produção” foi o fio condutor da apresentação. O que a PixFly trouxe ao palco não foi uma promessa de futuro, mas experiência acumulada de quem já colocou agentes para trabalhar em operações reais, com os erros, os ajustes e os resultados que só aparecem fora do ambiente controlado.
Roda de conversa: o futuro já chegou, mas nem todo mundo viu
O encerramento do evento foi uma roda de conversa aberta entre os especialista e o público. Com representantes de Sicoob, Shein, Oracle e NFE.io na mesa, a conversa revelou perspectivas distintas de quem opera em setores completamente diferentes, mas enfrenta os mesmos desafios: sistemas legados, equipes enxutas e um prazo regulatório que não espera.
Entre os temas abordados estiveram a preparação dos sistemas internos para o marco de agosto de 2026, o Simples Híbrido como decisão estratégica de B2B, e o Split Payment como uma mudança de modelo financeiro, não apenas fiscal.
O que ficou do evento
O Fiscal Intelligence Talks cumpriu sua proposta. Reuniu em uma manhã o que o mercado precisava ouvir: que a Reforma Tributária é urgente, que a IA já está disponível como resposta operacional, e que esperar não é estratégia.
A NFE.io segue na frente desse movimento, construindo a infraestrutura para que empresas de todos os tamanhos atravessem essa transição com conformidade, eficiência e inteligência.
